Organizada pelo IDERB – Instituto de Defesa das Nascentes do Rio Balsas e com o apoio da UFMA – Universidade Federal do Maranhão e da CÂmara Municipal de vereadores, a 4ª Expedição Ecológica e Social às Nascentes do Rio Balsas contou com parceria da empresa Cacique, JR 4000, Câmara Municipal de Vereadores além das companhias da Polícia Militar do 4º Batalhão, Batalhão de Polícia Ambiental (São Luis), Grupo de Escoteiros Buriti, Secretaria do Meio Ambiente municipal, Corpo de Bombeiros, Samu dentre os voluntários que foram, alguns pela primeira vez.

Nos dias 08 e 09 de setembro, parte dos expedicionários que compõem o IDERB cumpriu o itinerário nos Altos Gerais, desta vez no Povoado São Pedro, a mais de 270 km da sede de Balsas. Com médio de 60 pessoas, entre adultos e crianças – porém uma pequena quantidade mas de grande valia para os objetivos da Ong – cruzaram o cerrado a fim de averiguar a vida das nascentes, comparando-se à última expedição (2017). As opiniões se dividiram ao depararem com as minas d’água. Para uns, algumas nascentes este ano jorram água mais que nos anos anteriores ou pelo menos ainda algumas se mostram com bastante umidade, para outros, muitas delas que não brotam na superfície devido ao pisoteamento de animais domésticos, como porcos e gados à procura de água para beber.

Além das observações ecológicas feitas nas nascentes, o grupo também fez sua parte social, cumprindo uma maratona como entrega de donativos, cestas de alimentos não perecíveis, entrega de brinquedos, doces, brindes e roupas para as crianças, entrega de folders, além de palestras abordando os seguintes temas: Cel. Juarez Medeiros 4º BPM/Balsas falou sobre Segurança Pública; Ten. Holanda do Batalhão da Polícia Ambiental, sobre suas ações; Claudicéia Mendes, coordenadora do curso de Engenharia Civil da UFMA/Balsas, falou de Educação como ferramenta para alcançar sustentabilidade socioambiental nas nascentes do Rio Balsas; Shirley, representando a SEMA, falou sobre queimadas.

Para o presidente do IDERB e organizador da 4ª Expedição Ecológica e Social, Miranda Neto, disse que “esse ano foi o ano que teve o menor número de expedicionários, no entanto foi a Expedição que teve mais produtividade, que a gente conseguiu passar a mensagem de fato e de direito, de preservação do meio ambiente, a mensagem para as pessoas que residem aqui na comunidade de São Pedro, não só do lado do meio ambiente, mas do lado social também. Foi muito importante e estou muito feliz por isso. Só tenho a agradecer a Deus em primeiro lugar, depois a cada expedicionário, cada autoridade que vem aqui conosco dar sua parcela de contribuição”.

Profª Claudicéia preparando relatório da viagem às nascentes.

A professora Claudicéia Mendes falou de seu espanto no reencontro com as nascentes.  Ela disse notar que “tem algumas que aumentaram o seu volume de água. Elas estão se recuperando. Claro que são vários fatores que influenciam nesse processo. Continuamos identificando contínua presença de animais que são criados livremente pisoteando as nascentes, o desmatamento, as queimadas ou seja uma série de fatores acabaram se repetindo nesses três anos que eu participo”. Sobre a palestra, Claudicéia disse que “essa proposta hoje dentro do curso de Engenharia Civil onde temos vários programas de extensão, dentre outros, um dos objetivos é aproximar a comunidade da universidade“.

O comandante do 4º BPM, ten./cel. Juarez Medeiros, ao lado de sua esposa e filhos, fez doações de mais de 100 livros como forma de contribuir com a educação das crianças, em nome da Polícia Militar, também doou dois ventiladores para escola e de cadeiras. Para ele, “muitas vezes as pessoas dizem que é papel do estado, é papel da prefeitura, eu acho que cada cidadão e cada instituição deve colaborar. A gente não pode estar esperando”. Além disso, “a polícia também veio aqui fazer o seu papel, que é servir e proteger a comunidade. Hoje nós ministramos uma palestra e estamos nesse momento distribuindo aqui roupas, camisetas, shorts, brinquedo. Também a Polícia mantém o melhor relacionamento para que essas crianças percam aquele medo da polícia, mas que tenham a polícia como seu parceiro”.

De São Luis, ten. Holanda, Polícia Ambiental, comandou uma de policiais ambientalistas e ratificou a importância “hoje, aqui, de conversar com a comunidade local para que eles preservem as nascentes, que é de suma importância para a existência do Rio Balsas, que também é um rio muito importante para o estado do Maranhão, porque se as nascentes secarem o rio também vai secar e o prejuízo ambiental e social será muito grande”. Tenente Holanda comentou, em sua palestra à comunidade, sobre a matança, caça e venda de animais silvestres na região. Para ele, a Polícia Ambiental já possui um trabalho voltado para as crianças em todo o estado do Maranhão, em comunidades, escolas, creches, “tentando incutir nas crianças e adolescentes, que serão os futuros gestores, empresários, políticos e de forma geral, o que vai estar lá na frente, na direção. Colocando isso hoje, eles vão se lembrar e vão cuidar, preservar o nosso meio ambiente”. O tenente Holanda também informou que a captura e venda de animais no Maranhão é exorbitante. Para ele, “o Maranhão tem uma fauna muito bonita, muito grande, muito significativa, então, nessa região, especificamente no sul do Maranhão, já verificamos grande tráfico de animais silvestres. Estamos fazendo esta conscientização, mas também estamos fiscalizando e por várias vezes apreendemos pessoas transportando animais silvestres, caçando animais silvestres para o consumo, apanhando animais para que sejam traficados.” Completou o tenente Holanda.

O coordenador dos Escoteiros Buriti, Jonas Silva, acentuou a importância da participação dos jovens escoteiros na Expedição. “É conscientizar os nossos jovens que nós precisamos manter a mata ciliar intacta e proteger sempre as nascentes do Rio Balsas. Que elas não são só importantes para as pessoas que moram aqui nas nascentes mas para todas as pessoas que residem na extensão do rio até o Rio Parnaíba. A importância da conscientização da preservação. Para nós escoteiros temos um papel fundamental que é amar a natureza. Então esse é um momento que a gente traz as nossas crianças para conhecer a realidade das nascentes e incentivar os outros escoteiros que estão lá na cidade aguardando a nossa volta, conhecer a problemática, que é simples de resolver, basta a união e a colaboração da população”.

Luciano Samara participa pela primeira vez junto com seu irmão, Marco Samara, que acabara de chegar ao município. Luciano disse que se preocupa com o rio, mas que esta foi sua primeira oportunidade de participar desta Expedição, mesmo acompanhando todos os anos pelos meios de comunicação e pelo grupo da própria Expedição. “Todo ano nós fazemos a limpeza no rio, na cidade. Temos uma equipe que ajuda na cidade. Agora a prefeitura melhorou muito na limpeza e nós fazemos também nos pontos de descida. Geralmente quando começa e quando termina o verão a gente tem um dia da coleta do lixo”. Luciano ressaltou “dois pontos importante para mim, na Expedição. Primeiro é conscientizar as pessoas que precisam preservar o rio, o meio ambiente e o segundo é que precisamos agir. Sem ação as coisas não acontecem. Só em coletar o lixo ou plantar uma árvore e a interação com a escola, são pontos importantíssimos”. Luciano também se comoveu com as palestras e as ações do IDERB e prometeu levar, “o quanto antes, materiais esportivos, como uniformes (camisetas e shorts) e bolas, bambolês, etc, para o Povoado São Pedro, para que os alunos possam promover saúde e bem estar através dos esportes”. Conclui Luciano Samara.

A dentista Jônica Cristina e Helder Martins, também levaram o filho, como outros casais com o intuito de conhecerem as cabeceiras e nascentes do Rio Balsas. Para ela, que foi a primeira vez que participaram da expedição disse que “estamos muito felizes de participarem desse momento, porque a gente pode ver de perto o quanto é importante a gente cuidar do nosso Rio Balsas, cuidar da preservação ambiental. A gente tem visto muita coisa destruída, queimadas, desmatamentos, algumas nascente já secando. Então, quando a gente vê isso de perto é diferente de quando você vê somente de longe, nas reportagens. A realidade dessa situação é extremamente de importância para que a sociedade tenha um olhar para isso. Essa iniciativa tá sendo de extrema importância para a população abrir os olhos e cuidar das nossas nascentes”. Em relação à parte social da Expedição, Jônica acentua que a população ribeirinha está sendo muito bem assistida. “Tô vendo aqui uma interação de palestras, de orientação, de vários assuntos. Então, eles também estão sentindo na pele que eles têm uma grande responsabilidade sobre toda essa nossa riqueza que é o Rio Balsas. Mas elas são pessoas que nos acolhem muito bem. Estamos muito felizes de estar participando desse projeto”.

O vereador, professor Nelson Ferreira, ao lado do vereador Painha, agradeceu pela visita da Expedição, em nome da Câmara Municipal de Vereadores. “Quero agradecer toda a equipe que organizou, na pessoa do Miranda e junto a ele todo a equipe, até porque a gente faz trabalho em conjunto, senão a coisa não aconteceu a contento, mas foi para mim, uma das melhores expedições que aconteceu aqui nessas nascentes do rio. Foi um grupo bem menor, mas como já havia falado, foi um público bem selecionado, um público seleto, que vem com muito compromisso com essa região, foram proferidas palestras importantes, mas assim de esclarecimento aos nossos ribeirinhos e nós, andando também lá nas nascentes a gente sente que do ano passado para cá teve um pouquinho de evolução para melhor, na questão das águas do nosso rio. Então, a gente espera a cada dia conta mais com essa consciência porque ainda temos muita agressão na questão das queimadas nas veredas que adentram o Rio Balsas, assim como também a questão dos animais, dos bebedouros dos animais e a gente espero que tudo isso seja controlado e havendo esse controle, a tendência é o nosso rio a cada dia, a cada ano se revitalizando melhor. Então foi realmente um encontro muito bom. Quero agradecer a vocês da Imprensa, que sempre vem para divulgar esse trabalho, que é tão importante, não só para esta região, mas para todo o município de Balsas e os municípios que compõem o polo de Balsas, porque várias nascentes abastecem o Rio Balsas”.

Para o bombeiro Jonathan, esta Expedição é de grande valia, “pois tem o intuito de evitar queimadas nas áreas próximas às nascentes, que evitam também o assoreamento”. Para ele, “a criança é a base, e sendo bem informada sobre a importância da natureza, ela já vai se desenvolver com a mentalidade de prevenir. São importantes estas informações que todos passamos aos ribeirinhos”.

O professor João Cabral, manifestou sua admiração pelo projeto no extremo do município de Balsas. Para Cabral, “essas palestras, a gente vê como lavar a alma. Eu tenho certeza que estas crianças, estes jovens, estão saindo daqui, hoje, com o coração aliviado. Aquelas pessoas que a gente pense que têm o coração duro, elas hoje, lavaram o coração para o melhor. E essa lavada, vamos dizer assim, ela é um sinônimo de amor e sair daqui com mais amor, com mais vontade de contribuir, tanto com eles em família como com a escola”.

A mãe de aluna no povoado, dona Sandra, afirmou que as palestras lhe ensinaram o que ela também irá passar para sua filha, “de como plantar na beira das nascentes, melhor as plantas, não tem que fazer queimadas  nem derrubadas próximas aos riachos e nascentes”.

Dona Alessandra, mãe do estudante do povoado São Pedro, Idelmar, falou que  “sem água nós não somos nada e temos que preservar o meio ambiente mais do que falar e a equipe do IDERB está de parabéns. Tudo que vocês falaram é verdade”.

O presidente do IDERB, Miranda Neto, agradeceu a todos que participaram da Expedição, como os ribeirinhos e voluntários, pela recepção. “Não resta dúvida que as palestras foram excelentes e o pessoal aqui da comunidade São Pedro nos deu a oportunidade de usufruir desse espaço da escola e do vilarejo, para a gente ministrar, com caixas de som, microfone, data show, e tudo isso deu maior atenção às pessoas das nascentes do Rio Balsas”.

Queimadas para plantio de capim, nas proximidades das nascentes.
Mesmo já pisando em barro molhado, a água ainda não consegue fluir na terra.
Miranda Neto registra nascente com água límpida em abundância. Sinal de que a luta da Expedição começa a dar certo nesses 04 anos.

Queimadas próximas das nascentes, que provocam erosão.
Entrega de brinquedos, doces e roupas.

Brindes e folder distribuídos.

 

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