Tudo é questão de ciclo e um estudo não pode ser baseado apenas nas três últimas safras. Neste ano, a região já trabalha com otimismo e, com a safra plantada, os produtores esperam por uma superssafra, diferente do ocorrido nos anos anteriores
Instituições do agronegócio do Brasil e da região do MATOPIBA reagiram veementemente à divulgação maldosa e tendenciosa de um “estudo”, dando esta região como inviável para a expansão agrícola, feito por uma empresa paulista de consultoria.
Marcos da Rosa, presidente da Aprosoja Brasil: “Direito de Resposta” (Fotos: Divulgação)
Marcos da Rosa, presidente da Aprosoja Brasil: “Direito de Resposta” (Fotos: Divulgação)
Nesta quinta-feira, 25/11, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja-Brasil), emitiu nota assinada pelo presidente da instituição, Marcos Rosa, repudiando a divulgação desse “estudo” e pedindo publicação de direito de resposta no prazo de 24 horas.
Conforme a nota,  as informações  noticiadas “são infundadas, pois a consultoria utilizou apenas dados da produção agrícola dos últimos quatro anos, que foi comprometida em função das adversidades climáticas provocada pelo fenômeno El Ninõ. Dessa forma, os números apresentados não condizem com a realidade da região”.Nesta quinta-feira, 25, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja-Brasil), emitiu nota assinada pelo presidente da instituição, Marcos Rosa, repudiando a divulgação desse “estudo” e pedindo publicação de direito de resposta no prazo de 24 horas.

 

Ainda conforme a nota da Aprosoja Brasil, a expansão da fronteira agrícola na região foi iniciada na década de 1980 e intensificada nos últimos 15 anos, segundo dados da CONAB (Série Histórica, 2016). Pode-se observar que no período de 2001 a 2012 a área de plantio na região expandiu em 228% e sua produção aumentou em 500% no mesmo período.

 

– Diante do exposto, em razão do equívoco de informações que poderá prejudicar os associados desta entidade, a Aprosoja Brasil, nos termos do art. 5º, V, da Constituição Federal e da Lei 13.188/2015, requer que, no prazo de 24 (vinte e quatro horas), seja publicado seu direito de resposta, de modo proporcional e gratuito, com as informações retro mencionadas, sob pena da adoção das medidas judiciais cabíveis, inclusive indenização por dano material, moral e à imagem – conclui a nota.

 

Piaui
Também nesta quinta-feira, 24, a Associação dos Produtores de Soja do Estado do Piauí (Aprosoja/PI), emitiu nota de repúdio a referida Consultoria e ao jornal “Valor”.

 

Altair Domingos Fianco, presidente da Aprosoja/PI: "Estão querendo desviar investimentos"
Altair Domingos Fianco, presidente da Aprosoja/PI: “Estão querendo desviar investimentos”
Na nota, assinada por seu presidente, Altair Domingos Fianco, a instituição diz que  “além de preconceituosa por não considerar as especificidades de cada região, inclusive dentro do próprio MATOPIBA (que aqui abreviaremos em letras maiúsculas), tem um intuito claro de desviar os possíveis investimentos para outras regiões num momento de escassez de recursos”.

 

Para a Aprosoja/PI, conforme manifesta nesta nota, “expressar através de uma consultoria (Agroícone) que os produtores devem evitar o MATOPIBA e priorizar os investimentos em áreas do Cerrado das regiões Centro-Oeste e Sudeste soa, no mínimo, tendencioso, uma vez que, apesar de ser denominada como “fronteira agrícola”, por apresentar sim elevado potencial de expansão, vem se consolidando como importante região produtora do país a pelo menos duas décadas”.

 

– No nosso Estado, conhecemos nossas particularidades, temos ciência de como produzirmos alimentos mesmo tratando-se de uma área de transição climática e de biomas, porém estratégica para o desenvolvimento – diz a nota.

 

O manifesto continua afirmando que,  “aliás, falar em crise climática e citar que esta será pior no MATOPIBA, é apenas demonstrar que é mais fácil e cômodo observar os acontecimentos recentes do que avaliar as questões técnicas as quais todos os municípios inseridos nas microrregiões produtoras de cada um dos Estados que compõem esta área, estão submetidos para produzir”.

 

– É desconsiderar que estes municípios possuem Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) indicando as melhores épocas de semeadura. Hoje, para um município estar apto ao cultivo de uma determinada espécie, o mesmo deve apresentar 80% de sucesso no atendimento de um valor mínimo da demanda hídrica, com base na análise de séries históricas de dados meteorológicos (precipitação pluviométrica) de, no mínimo, 15 anos – aponta.

 

Ainda conforme a Aprosoja/PI, “entender os conceitos e definições de variabilidade espacial e temporal, probabilidade e período de retorno dos eventos e variáveis meteorológicas é muito mais complexo do que afirmar que “ ‘a cada 5 safras 3 quebram’”.

 

– No Piauí, as microrregiões de Alto Parnaíba Piauiense, Alto Médio Gurguéia e Chapadas do Extremo Sul Piauiense – incluídas na delimitação do MATOPIBA, abrangem uma área total de 8.204.588 ha (33 municípios), representando 11% deste Território. Destes, aproximadamente 2.332.766 ha de terras são formadas por planaltos com predomínio de vegetação do bioma Cerrado, topografia favorável e altamente mecanizáveis, o que os tornam de elevado potencial produtivo em condições de agricultura de sequeiro, sendo, hoje, apenas cerca de 900.000 ha antropizados – informa a nota.

 

Ainda nos seus argumentos, a Aprosoja/PI, considera que essas microrregiões “possuem uma infinidade de planícies onde a vegetação se caracteriza pela transição (espécies do cerrado e da caatinga), preferidas pela pecuária – áreas de pastagens, bem como, para a agricultura irrigada pela elevada disponibilidade de água subterrânea”.

 

– Hoje, são dois cenários de áreas distintas que não competem entre si. Assim, a matéria é equívoca, mais uma vez, por tratar apenas das áreas de pecuária tradicional como de potencialidade para a expansão da fronteira agrícola, em especial no estado do Piauí. Além disto, potencial produtivo e diversificação espacial devem andar juntas, e não separadas! Não deixaremos de acreditar neste Estado e nem que tratem nossas atividades agroeconômicas e os investimentos futuros como uma “roubada”, uma vez que, este Estado, em 1996, inseriu-se no cenário brasileiro do agronegócio cultivando apenas 9.585 ha e uma produção de 22.476 toneladas de soja e que, em 2015, chegou a marca de 666.718 ha e uma produção de 1.772.722 toneladas; o que mudou as condições socioeconômicas desta região – pontuou.

 

Maranhão
Deste Estado, cuja parte de sua região sul integra o MATOPIBA, a superintendente da Fundação de Apoio a Pesquisa no Corredor Norte de Exportação (Fapcen), Engenheira Agrônoma Gisela Introvini se manifestou por meio de entrevista ao site Notícias Agrícolas.

 

Gisela Introvini, da Fapcen: "Uma informação desta pode matar a região"
Gisela Introvini, da Fapcen: “Uma informação desta pode matar a região”
A Executiva, que está na região sul do Maranhão há quase 30 anos, quase 20 dos quais superintendendo a Fapcen, contestou a pesquisa e recordou que muitos pesquisadores, a exemplo de Evaristo de Miranda, da Embrapa Monitoramento por Satélite, pesquisaram detalhadamente todo a região, “visualizando a capacidade de desenvolvimento da região.

 

– Tudo é questão de ciclo e  um estudo não pode ser baseado apenas nas três últimas safras. Neste ano, a região já trabalha com otimismo e, com a safra plantada, os produtores esperam por uma superssafra, diferente do ocorrido nos anos anteriores – disse.

 

Introvini apontou ainda que o primeiro desafio na região foi o desenvolvimento da genética da soja, onde a Embrapa teve participação importante no processo, criando uma cultivar adaptada para as baixas altitudes, “que revolucionou o Cerrado brasileiro”.

 

– A partir de 2008, a região se transformou. Foram permitidas cultivares de ciclo precoce que deixaram mais palha no solo e algumas propriedades se tornaram modelo em nível internacional, com alguns perfis de solo simulando uma “floresta invertida” – lembrou.

 

Ela criticou a ausência de pesquisadores em campo para chegar a conclusão que esse “estudo” chegou.

 

 – Uma reportagem desastrosa como essa pode interferir e matar uma região. E isso nós não podemos admitir – disse.

 

Ela também acrescentou que a única observação procedente é de que não é possível avançar para as áreas do semiárido da Bahia e do Piauí, mas que ainda há muito potencial agrícola no sul do Maranhão que ainda não foi aproveitado.

 

Sobre a evolução do Sistema de Plantio Direto na região do MATOPIBA, Introvini atribuiu a fatores como a introdução das braquiárias.

 

– A Embrapa está para lançar o gado tropical, o que é muito interessante para as nossas regiões – conta, acrescentando:  – Precisamos de pesquisas direcionadas para esses avanços.

 

Ainda de acordo com a Superintendente da Fapcen a cultura da soja poderá trazer transformação de renda e de empregos para estas áreas, criando um novo cenário que ainda deve ser desbravado no Estado.

 

Sobre isto ela lembrou que a gestão anterior do Ministério da Agricultura tinha planos para essa expansão. Disse esperar que o atual ministro, Blairo Maggi, dê continuidade a esses planos.
– A Bahia já está resolvida neste caso, mas o Piauí e o Maranhão, ainda não – afirmou.
Ainda na sua entrevista ao Notícias Agrícolas, Introvini, tratou da questão da logística na região.

 

-A  partir do ponto em que existir uma estrada [melhor, em relação às atuais] irá fomentar outros nichos interessantes, o que vai ser bom para todo mundo, ajudar tanto os grandes [produtores] quanto os pequenos – frisou.

 

Outro gargalo tratado por ele é a questão do escoamento da produção para mercados externos via marítima, que não região é atendido pelo Porto de Itaqui, em São Luís (MA). Conforme lembrou,  existe um problema logístico por conta da situação das estradas, o que faz o frete ficar mais alto da propriedade até o transbordo. Por outro lado, a região é facilitada para exportar à Europa e também para a China, por meio do Canal do Panamá.

 

O MATOPIBA, continuou a Superintendente tem  73 milhões de hectares disponíveis, sendo que 35 milhões de hectares já estão aptos e 11 milhões de hectares estão destinados para a preservação.

 

Ela chamou a atenção ainda para o grande potencial dos rios, a partir dos quais poderia ser feito um estudo sobre sua perenização e, assim, manter o lençol freático, ter reserva de águas de chuva e outros fatores que poderiam vir, de alguma forma, minimizar os efeitos da seca em determinados locais.

 

A região já atrai o interesse de investimentos estrangeiros, uma vez que a Europa compra créditos de soja responsável, resultado de uma parceria com a Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS). Falta, agora, uma maior atenção para que a região se desenvolva por completo.

 

– Aqui é desafiador e você vê uma mudança de cenário a todo o momento –  conta Gisela.

 

Bahia
Do oeste da Bahia, a maior região produtora em todo o MATOPIBA, o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Julio Cézar Busatto, além de, a pedido de Cerrado Rural Agronegócios, emitir nota de repúdio, em nome de seus associados, contra o tal “estudo” divulgado por “Valor” e revista “Portos e Navios”, concedeu entrevista ao Notícias Agrícolas sobre o assunto.

 

– Foi uma surpresa muito grande essa matéria, pois a empresa  responsável (pela pesquisa) não conhece a região e com certeza está usando uma base de dados que não está correta – disse.

 

Julio Busato, da Aiba: "Eles não conhecem a região"
Julio Busato, da Aiba: “Eles não conhecem a região”
Ainda conforme ele, “é  preciso considerar que nos últimos cinco anos sofremos com a influência do El Niño, assim como aconteceu no final da década de 1950”.

 

– Situação que foi agravada na safra passada e resultou em perdas. Ainda assim, em áreas consolidadas ainda tivemos uma produtividade próxima de 50 sacas de soja por hectare – destacou Busatto.

 

Ele aproveitou para informar que “somente no caso da soja, a Bahia deverá cultivar entre 1,5 milhão a 1,6 milhão de hectares nesta temporada, conforme dados levantados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Com isso, a produção da oleaginosa deverá ficar entre 4,6 milhões a 4,7 milhões de toneladas na safra 2016/17.

 

– Há 30 anos não plantávamos nada nas áreas de Cerrado no Estado e hoje, nosso cultivo é de 2,2 milhões de hectares nessa área. Somos responsáveis por 4% de que o Brasil produz em grãos e fibras, mas também sabemos que o negócio é um risco e precisamos de um seguro agrícola eficiente. Uma saída para que o agricultor não banque a produção brasileira a custo das suas terras –  reforçou Busatto.

 

Além disso, ao Notícias Agrícolas, o presidente da Aiba destacou que no oeste da Bahia  há um potencial de irrigação para mais de 500 mil hectares.

 

– Para essa safra, a orientação é diminuir o investimento em áreas novas devido aos riscos e aumentar a irrigação –  diz.

 

Entretanto, ainda serão necessários mais três anos para que haja recuperação na rentabilidade dos produtores da região, ainda conforme acredita Busato.

 

– Estamos mais otimistas com essa safra, finalizamos o plantio da soja e as chuvas parecem que voltaram ao normal. No ano passado, estávamos amargando um replantio ao redor de 8% na área. Precisamos capitalizar os produtores e avançar no crescimento – finalizou.

 

Embrapa
Não obstante ser a responsável pelas pesquisas e estudos que apontaram para a viabilidade dos cerrados do Norte e Nordeste do Brasil para a agricultura  e pela institucionalização da região do MATOPIBA, a estatal brasileira de pesquisas ainda, mesmo que convidada por este site, ainda não se manifestou de forma mais aprofundada. Limitou-se apenas a emitir uma nota superficial contestando o tal “estudo”.

 

Cerrado Rural Agronegócios continua aguardando isto da Empresa, uma vez que ele prometera que “iria estudar detalhadamente” as conclusões da tal consultoria.

 

 

Fonte: CR

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