Pe. José Alberto recebe flores de líderes das comunidades pastorais que ele mesmo criou em Balsas.

Celebrada pelo próprio anfitrião, a missa desta quarta-feira foi totalmente dedicada à despedida de Pe. José Alberto, chefe da Paróquia de Santo Antônio que viajará, neste 1º de fevereiro, para Pastos Bons, a 262 km da Diocese de Balsas, que é formada por 17 municípios.

Na frente do altar mor, fiéis colocaram seus apetrechos que trouxe para a Diocese e com os quais iniciou sua jornada, após a ordenação.

Marlene Garcês contou sua versão como verdadeira conhecedora da caminhada do sacerdote desde o seminário até os dias de hoje. Padre há 09 anos, com o mesmo feitio desde sua ordenação e passos vividos plenamente para as comunidades de Balsas, dentre as quais várias criadas por ele mesmo. O padre, que nasceu em São Raimundo das Mangabeiras (município a 80 km), não pode escolher sua cidade natal para ministrar suas homilias tão bem citadas verdadeiramente e ouvidas atentamente, além de criatividades eminentes, passou alguns dias na cidade de Riachão.

“Sementes” e “gratidão” foram as palavras mais ouvidas, tanto durante a missa como na festa de despedida, no CRB – Clube Recreativo Balsense, onde centenas de pessoas também o acompanharam para desejar-lhe boa partida.

Simples como um missionário. Começou novo, como ele mesmo acentuou e logo lhe deram a grande responsabilidade de chefiar uma paróquia, mesmo ainda sem muita experiência sacerdotal, tamanha a conquista de sua confiança e sua postura diante da Palavra. Pe. Zé Alberto, como todos o chamam, disse à Folha do Cerrado, que só tem a “agradecer todo trabalho que foi possível ser realizado no que diz respeito à dimensão física estrutural da igreja, dos prédios, como a reforma da Catedral, da Igreja Matriz (em ambas foram colocados equipamentos de ar-condicionado), da TV Boa Notícia e outras construções e ao mesmo tempo também a dimensão missionária, criando lideranças novas, lideranças renovadas, uma comunidade animada, um sertão também vivo, missionariamente falando”. E como recado antes do ‘partiu Pastos Bons’ continuou semeando suas sementes: “Então, continue esta igreja, continue amando essa igreja, continue dando a vida a Cristo através dessa igreja que quer pessoas livres, quer pessoas amadas e acima de tudo servindo”.

Com sentimento de gratidão e até mesmo já de saudades, milhares de fiéis se fizeram presentes na catedral, prédio que se inspirou e levou muita gente a trilhar seus pedidos, com a mensagem ‘Vai e reconstrói a minha igreja’, o que deixou muitos incrédulos boquiabertos com o resultado final, mesmo que ainda pendentes alguns valores, o que não se tornou pedra no meio do caminho e se teve, também serviu para as reformas.

Um pastor que consegue ver a todos ao mesmo tempo, de velhos a crianças, teve a iniciativa de comungar simbolicamente as crianças, mesmo antes do batismo ou da crisma, com o pão que elas recebem em suas missas de domingo, o que incentiva as crianças acompanharem os pais. Antes, as mesmas crianças são convidadas a ficarem ao seu lado para rezarem o ‘Pai Nosso’ e a Oração do Anjo da Guarda, ‘Santo Anjo do Senhor’, que é mais que uma oração. Grande parcela dos jovens, adultos, de hoje, que conheceu meninos ainda, são formadores de opiniões e construtores do bem, na sociedade balsense.

O advogado Edilson Ribeiro subiu ao presbitério para fazer uma aclamação de gratidão, representando todas as comunidades balsenses, e disse que Pe. José Alberto “é um pastor que realmente conseguiu uma missão importantíssima que foi reunir e unir toda a nossa paróquia. Então, esse é seu maior legado que ele deixa para nós: a união ele conseguiu transmitir a palavra de Deus numa forma que realmente transformou a cada um cristão dessa cidade. A igreja ganhou uma cara nova com a evangelizando Padre José Alberto a gente só tem agradecer e agradecer a Deus por nós termos um pastor à altura dele. Então, que o povo de Pastos Bons também o receba de braços abertos, pois terão um pastor à altura e lá semeará, com certeza, boas sementes e dará muitos bons frutos como aqui nós temos hoje”.

Também, para muitos admiradores das homilias e sermões do Pe. José Alberto eram nada mais e nada menos do que uma “surra de cipó ou cinto, como nossos pais faziam” quando percebia algo que não lhe agradasse ou fizesse um católico diferente ou desatento, diziam outras pessoas durante os elogios.

Em tão pouco tempo, para um padre que tem a vida inteira se doando para os outros, tanto os que são felizes e carregam a ‘riqueza na barriga’, quanto para os mais miseráveis, ele conquistou uma cidade inteira para suas celebrações que já tem gente e grupos falando em ir “assistir missa do padre em Pastos Bons, pelo menos uma vez a cada 03 meses, para não perder o seu modo ‘duro’ de ser, porém comovente.”, reforçando o parágrafo de cima, que resume em quanto mais a mãe batia para aprender ‘a ser gente’ ou ‘quando crescer não dar trabalho’, a gente parecia mais gostar dos pais, aprendia a amá-los e quando crescia, sentia falta destes borrões da vida, sentia saudade dos conselhos maternos em vez dos carões ‘na rua’.

Muito comparado com Pe. Pedro Fontes de Sousa, ‘in memoriam’, pelo seu modo de lidar e falar com as pessoas. Além disso, chegou a assumir o posto do padre falecido todos os anos na Missa do Vaqueiro, 12 de junho e por gostar de andar pelos sertões, levando a Palavra e suas orientações.

Após a missa de solenidade de despedida, a maioria que estava na catedral seguiu para o Clube CRB, onde, também puderam ouvir despejos de elogios aos trabalhos e ideias, como um grande legado, deixado no solo da cidade. Pessoas do alto escalão da sociedade civil e eclesiástica, pessoas de comunidades remotas e dos bairros, trouxeram à tona todo sua trajetória por onde passou o padre. Para estes, fica aqui um legado tão importante quanto o futuro, que continuará regado pelos seus cumprimentos e falas como sementes num pomar bem fertilizado e preparado para produzir ‘bons frutos’.

Mas a caminhada continua, e geralmente estas mudanças ou trocas de padre acontecem com 06 (seis) anos de vivência, mas nosso bispo Dom Enemésio Ângelo Lazzaris, que deveriam tê-los transferido, usa sempre de sua rara inteligência, aguarda o tempo de fazer as coisas, para errar e deixou passar esse 09 (nove) anos para decidir as transferências (A justificativa de o padre ser bom e querido, ter pouco tempo ali, ter feito bons trabalhos, tudo isso é louvável, mas os critérios são mais abrangentes).

Em seu lugar ou um lugar reservado também para ele mesmo, Pe. Genivaldo Ribeiro assume a Paróquia de Santo Antônio. Em nome de todas as comunidades presenteou  seu colega com um álbum de fotos que lhe trarão grandes e boas lembranças, dos feitos e dos amigos que lhe rodearam nestes nove anos de sacerdócio.

Pastos Bons tem 254 anos de emancipação e é uma cidade ainda recatada, com uma população estimada em 19.140 habitantes (dados do IBGE de 2015). São Bento é o padroeiro do município. Existe também comunidades quilombolas (Jacu e Cascavel), muitas desassistidas pelos governos, mas que mantem seu modo peculiar de vida, em terras que produzem para a subsistência.

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