A 19 ª Semana do Encarcerado cujo tema é “Reintegração Social: o Sistema Penitenciário do Maranhão no rumo certo” é realizada em todo o estado, com início hoje, 27/08, a Semana encerrará dia 31/08. Um dos objetivos da Semana é lembrar a sociedade e autarquias sobre as atividades terapêuticas que podem tirar alguns dos detentos mais cedo ou antes do total da pena julgado em 1ª instância, desde que cumpridas as normas regidas pelo sistema.

Participaram da abertura, os defensores públicos Rodrigo e Germano Martins, professor da Unibalsas, sr. Marlon Possani, representando a Câmara de Vereadores Isaura Ferreira, Corpo de Bombeiros, Pastoral Carcerária, Senai, adv. Benetino Gomes, adv. Eduardo Passos e pastor Rael, Terapeuta Thays Pellegrini.

Marlon Possani se posiciona a favor dos detentos dizendo que “um evento como este, aberto para a sociedade eu acho importante, porque a sociedade precisa conhecer os anseios da população carcerária a ponto de nós como sociedade perceber a importância que é de a gente promover eventos, incentivar ou mesmo dedicar tempo para criação de oportunidades. Não importa, amanhã eles estarão novamente na sociedade, então ou eles estarão melhores do que entraram – se deu certo a ressocialização – ou estarão ainda piores. A gente sabe que essa é a realidade. O que a sociedade precisa entender é que vamos trabalhar juntos para colocar na sociedade pessoas melhores e isso é um grande desafio em nossa sociedade. A gente prefere não enxergar essa população carcerária, achando ilusoriamente eles vão ficar eternamente aqui. Não. Eles vão voltar para a sociedade. Então, se nós, como sociedade, trabalhar para garantir que eles sejam qualificados, sejam preparar, tanto psicológica quanto profissionalmente eles vão se colocar no mercado de trabalho, não vão precisar cometer delitos que vão fazer com que eles voltem para cá de novo e nós como sociedade sofra as consequências.”.

A detenta Regiane (sorridente),natural do Tocantins, está presa há três anos e sete meses por ter cometido homicídio, Balsas, mas paga uma pena de 31 anos e dois meses, conforme último julgamento. Ela não quis entrar em detalhes sobre a questão que a levou à prisão “por estar participando da terapia junto  aos demais, para esquecer o passado, buscando a ressocialização”. Diz Regiane. Para ela, “os agentes são muito bons, porque, pra quem quer algo melhor, eles ajudam muito e sempre que tenho uma oportunidade de participar de algo, até mesmo de uma palestra, eu vou”. Completa.

Sonivaldo Pereira, completa 01 ano em novembro de detenção é natural de Mirador/MA leva pena de 14 anos por estupro, diz que é um dos mais comportados porque sabe que “quem errou tem que pagar pelo erro. Mas dentro da penitenciária, para ele não há problema nenhum, porque pode pegar sol e as pessoas lhe tratam com respeito”. Sonivaldo disse também que nunca se envolvei em roubo, morte ou outro tipo de crime e por isso espera que sua pena seja diminuída com as ações e atividades que os ressocializam e que a única coisa que entristece, é a ausência de seus familiares nos dias de visita.

Alguns dos funcionários da Penitenciária de Balsas, envolvidos no projeto.

A Semana também é marcada por várias atividades e ações sociais, como corte de cabelo gratuito entre outras, apresentação de artesanatos e produtos fabricados dentro da própria penitenciária, como chinelos (tipo Havaianas). A reportagem perguntou à terapeuta ocupacional da instituição, Thays Pellegrini, porque é tão difícil serem inserido na sociedade novamente? Ao que ela respondeu: “sim é muito difícil, afinal de contas a sociedade ainda tem em mente que eles irão cometer o mesmo crime, afinal de contas porque que você vai confiar em alguém que já errou uma vez, né? Então é isso que nós trabalhamos aqui dentro da unidade prisional, da penitenciária. Que não importa se a sociedade não acreditar neles, eles têm que fazer por onde. Eles têm que mostrar para a sociedade que eles, como pessoas, estão reintegrados, eles estão sendo ressocializados, que eles estão mudados, que eles já criaram consciência do crime que eles fizeram, do erro que eles cometeram e eles não irão mais fazer isso. Então, é isso que a unidade prisional trabalha. Essa consciência deles, para que eles não venham a cometer o mesmo delito”.

A Semana do Encarcerado é uma oportunidade da sociedade se familiarizar com essas oportunidades oferecidas dentro da unidade prisional.”.

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