A Missa do Vaqueiro desta segunda-feira, dia 12 de junho, mostrou o quanto vem diminuindo a quantidade de cavalos e vaqueiros a caráter (de gibão) e o quanto pessoas com vestes de comitivas em equipe comparecem o que mais parece uma feira de negócios onde cada empresa ou personalidade quer que seus nomes sejam visualizados pelas câmeras dos meios de comunicação.

Até mesmo o organizador da Missa, Paulinho Miranda, vestiu-se com a roupa do Vaqueiro no esforço de incentivar o uso da tradição durante as comemorações.

Pe. José Alberto também usou o guarda-peito frisando sempre a dignidade e honra domais guerreiro homem do campo. Os mais antigos senhores do campo foram convidados para a celebração e receberem não só medalhas, distribuídas pelos padres celebrantes José Alberto e Genivaldo Ribeiro. Alguns vereadores que estavam no meio dos fiéis, além do prefeito dr. Erik Augusto e assessores que estavam ao lado dos padres puderam ouvir aclamações do pároco José Alberto sobre a educação, quando citou os abandonos de escolas e alunos no sertão de Balsas.

O pe. José Alberto lembrou em bom tom: “não vendam vossas terras. Guardam isso e não deixem que lhes tirem do lugar onde é sua vida. Depois que vendem vem para a cidade, onde pensam que seus filhos irão aprender mais, porém perdem todos os valores que ganharam em uma vida”.

Pe. José Alberto acentuou mais, dizendo que “a cidade está preparada para tudo isso (mudanças com o progresso). Pois na cidade, os meninos se preparam a deliquência e as meninas para a prostituição”. “É isso que vocês não querem”. Ele ainda aconselhou a não trazerem os filhos para a cidade, senão quando for no tempo de estudarem o que as escolas lá no sertão já não oferecem mais.

Para o padre, “a educação antiga está ultrapassada, mas dava certo” e disse mais: “os cachorros de nossas casas estão sendo cuidados melhor que nossos filhos, enquanto esquecemos de nós mesmos”. Ainda entre os conselhos do padre José Alberto, “os cuidados com nossas casas é o mesmo com a natureza”. “Devemos preservar nossos valores, mesmo que achamos ultrapassados, mas são valores que fazem uma família digna”.

Ainda quanto às administrações, pe. José Alberto falou que “pra mim, um dos maiores pecados com os nossos governantes e das nossas administrações é a maneira indecente como tratam a educação, como são tratados os professores, as escolas e os alunos. Trago isso como denúncia mas também trago isso com o coração de esperança. A igreja não quer atrapalhar mas contribuir porque o povo do sertão não está mendigando, nada é de ninguém. Os senhores vereadores, quando chegam lá (no sertão) querem ser tratados como o prefeito em vez de serem a ponte. Devem fazer com que a gente tenha projetos que não diga respeito à tal administração, mas que seja projeto executado para anos.” Completou o pe. José Alberto.

Quanto à festa e Missa do Vaqueiro, Antônio Semente, que já vem acompanhado de seu pai José Semente, de 87 anos e da filha de 17, montada em um boi e com camiseta de comitiva, diz que sempre procurou manter a tradição do vaqueiro, carrega a imagem de Nossa Senhora Aparecida padroeira dos vaqueiros. Ele lembra que o vaqueiro sempre faz o que amo.

VEJA MAIS FOTOS:

Velhos vaqueiros levando mudas para o altar, em memória da floresta do cerrado que está sendo dizimado pela produção agrícola.
Banda religiosa que fez o coro durante a Missa do Vaqueiro e Xavier (boné vermelho e branco), locutor oficial dos leilões no Festejo.

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