O ser centenário é sinônimo de uma história profunda, de reconhecimento sentimental e espiritual agraciado por Deus, ao longo de uma vida plena de trabalho e virtudes legadas durante anos de convivência com o homem e a natureza, de respeito a si próprio e ao outro. A estes, Deus homenageia  o sertanejo com páginas de saúde plena e alívios, que ao fim dá satisfação e alegria ao próprio homem e àqueles que o cercam e acompanham, mesmo que seja por alguma parte de sua vida.

Aos poucos o tempo vai passando e seu Germano da Silva Aguiar (Germano Taboca), que nasceu em 11 de outubro de 1914. Agricultor e pecuarista, rodou (aliás, cavalgou) parte do Brasil e em burros e jumentos cortava estradas sertão afora, entre Balsas e Piauí, comercializando seus produtos (arroz e rapadura), que também lhe adoçavam a vida nas duras caminhadas, no sobe e desce das serras e tropeços em pedras e areia quente do cerrado.

Com dona Odília dos Santos Aguiar concebeu uma família de 08 filhos, que lhes deram netos e sobrinhos, que hoje festejam seus 102 anos de vida.

Seu Germano ajudou na criação e fundação de Balsas, na formação dos filhos, no progresso de muita gente que já padeceu deste mundo, como Dué Bucar, Hermes da Fonseca, Alexandre Pires e Joaquim Coelho, mas fizeram parte de sua longa e vivida história.

Se hoje olha o crescimento de Balsas, relembra os tempos mórbidos, mas ainda, em voz firme e andar pleno de sua idade, pode ver que, se assim como ele e outro que vinham regando caminhos sem parar, o município poderia os cem anos com a mesmo alegria e disposição, mesmo porque abriu as portas para adotar outros filhos de regiões por onde andou e que, com certeza foi um dos que alargou os caminhos que fizeram o mundo ver Balsas como um eldorado, como ele mesmo via daqui para fora. Seu Germano conheceu Pará, Mato Grosso, Piauí, Goiás, garimpou e vendeu couro de boi em busca de tostões e vinténs, dentro de uma Casimira ou Linho e chapéu de massa.

Não dá sentido à moda da mocidade atual, porque diz que a única moda que ele cultua, além de andar bem “arrumado”, é ser centenário uma raridade e que não dá pra ser moda.

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